Inovação caótica.

Todo processo de aprendizagem gera desconforto e não seria diferente nesta nova modalidade de ensino (EaD), e com um agravante, somos todos marinheiros de primeira (ou até segunda) viagem. Todo processo de inovação, de certa forma inicia-se de maneira caótica, as tecnologias parecem ser “despejadas” no mundo por um ser extraterrestre e nós temos que digerí-las a nosso próprio modo.
Neste cenário, não há como prever com clareza e precisão o que irá acontecer. Assim como nós, educadores, os alunos também estão se adaptando a estes novos meios de comunicação como ferramenta de aprendizagem. Cabe a nós dar tempo ao tempo e compreender que cada um possui um ritmo, uma maneira diferente de aprender (GARDNER). Deste modo devemos agir sempre com cautela e respeito com o próximo pois assim conseguiremos estabelecer laços fortes de confiança e todo o processo de apropriação dos conhecimentos se dará de maneira mais natural.

Ser ou não ser (educador), eis a questão.

Após a leitura de vários textos acerca de EaD garimpados na internet eu comecei a refletir sobre o que é ser tutor ou mediador. Cheguei a conclusão que não importa o nome que se dá ao sujeito da ação ou do processo de ensino. Seja Tutor, Mediador, Professor, Mestre, Orientador, etc. todos são educadores. Partindo do pressuposto que educador e educando constituem a simbiótica teia do conhecimento, não importa a nomenclatura dada a este sujeito e sim o cerne que o faz executar seu trabalho. Independente do nome inferido a este personagem que se dispõe a participar do processo da construção dos conhecimentos, é dele a responsabilidade de condução do processo de ensino fazendo com que todos se apropriem dos conhecimentos utilizando para isso as mais variadas ferramentas, métodos e conceitos disponíveis.
Atualmente, as Tecnologias da Informação e Comunicação constituem-se em ferramentas que, quando utilizadas de forma estruturada e organizada potencializam a forma como nós, educadores, trabalhamos para construir o conhecimento. Mesmo com todo este potencial, posso afirmar ainda que as TIC´s são apenas ferramentas e meios para a eficácia do processo da construção dos conhecimentos. Devemos lembrar que o ator principal é o aluno e é por ele que devemos nos empenhar em aperfeiçoar, adaptar e utilizar estas ferramentas e métodos.
Concluo que quando encontrarmos a resposta à pergunta "Ser ou não ser", perceberemos que não importa o nome que será dado a nossa profissão e sim o benefício e satisfação que ela nos trará.

Resenha: Os estilos de aprendizagem e o ambiente de aprendizagem MOODLE

Estou me aventurando neste campo de resenhas. Nunca havia feito uma resenha, então, me perdoem se este post não for bem o que se espera de uma resenha.

Resenha

Achei muito interessante o livro MOODLE – Estratégias Pedagógicas e Estudos de Caso, organizado por Lynn Alves, Daniela Barros e Alexandra Okada. Fiquei sabendo deste título em um dos cursos a distância que estou estudando (MOODLE para professores, da ETEC Philadelpho Gouvêa Netto do Centro Paula Souza, com tutoria do Prof. João Paulo Lemos Escola). Tive acesso a uma versão em PDF deste livro o qual foi cedido à Editora da Universidade do Estado da Bahia – EDUNEB para edição/publicação em 2009. No início fiquei um pouco desconfortável com a idéia de resenhar um título que não havia comprado e sim, lido alguns capítulos pela internet, mas como sempre digo que é o compartilhamento de informações que propulsiona a educação, neste caso, iniciei os comentários e como sempre faço, buscando mais informações na rede. Ufa! Encontrei o livro disponível para download em formato PDF no site da organizadora Lynn Alves em http://www.lynn.pro.br/livros.php e agora com a consciência não tão pesada estou escrevendo sob minha experiência.

O livro possui 384 páginas que estão divididas em 16 tópicos/artigos escritos por diversos autores, dentre eles o próprio Martin Dougiamas que é o criador da plataforma MOODLE. Um dos tópicos que me chamou a atenção está na página 117, “Os estilos de aprendizagem e o ambiente de aprendizagem MOODLE”, escrito por Daniela Melaré Vieira Barros.

Barros aborda neste artigo a didática dos principais elementos da teoria dos estilos de aprendizagem (Alonso e Gallego, 2002) e destaca o conjunto de ferramentas do MOODLE que viabilizam as possibilidades de estruturar diferentes caminhos de aprendizagem, de acordo com os diferentes estilos. Segundo Barros, a teoria de estilos de aprendizagem possibilita entender as características de aprendizagem as quais oferecem referenciais para atender às diferentes necessidades individuais dos alunos. Baseando-se nessa teoria, a autora deixa claras questões sobre como ampliar o uso do ambiente MOODLE que, por ser um ambiente flexível, é possível modificar e aperfeiçoar a ação de suas ferramentas, atendendo assim às necessidades específicas e, com isso, oferecer melhores resultados para o trabalho educativo. A autora evidencia os estilos de aprendizagem de ALONSO e GALLEGO, a saber: estilo ativo, estilo reflexivo, estilo teórico e estilo pragmático, além de disponibilizar uma tabela relacionando os referidos estilos de aprendizagem com as ferramentas do MOODLE.

Destaco ser importante estudar e compreender esses estilos de aprendizagem, pois isto permite que o educador elabore melhor seu material facilitando a apropriação dos conhecimentos pelo aluno, que nos dias de hoje é tão peculiar e vive em constante mudança. Indico este artigo a professores que estão iniciando na educação a distância e que gostam de estudar as teorias e vertentes pedagógicas que permeiam o ensino na modalidade EaD. O Livro “MOODLE – Estratégias Pedagógicas e Estudos de Caso” eu recomendo a todos os docentes que pretendem utilizar o ambiente MOODLE e que tem a visão de que o EaD pode ser o diferencial que estamos procurando para uma educação mais dinâmica e focada nos interesses dos alunos.

Daniela Melaré Vieira Barros, autora do artigo “Os estilos de aprendizagem e o ambiente de aprendizagem MOODLE” é Doutora em Educação pela UNESP – Araraquara, Pós-Doutora pela UNICAMP- Brasil e UNED- Espanha além de investigadora da Universidad Nacional de Educación a Distancia, Colaboradora Projeto Colearn Open University e Professora do Programa de mestrado “Tecnologias da Informação e Comunicação em EAD” da Universidade Norte do Paraná – UNOPAR.