A Orquestra da aprendizagem.

 

De mangas arregaçadas e batuta em punho, aquelas "batidinhas" na estante precedem o espetáculo solicitando silêncio na platéia e a atenção dos músicos. É assim que funciona uma orquestra como a conhecemos, porém existe algo muito parecido com isto acontecendo bem perto de nós. Substitua a batuta pelo giz, a estante pela mesa, o maestro pelo professor, os músicos pelos alunos, os instrumentos musicais pelas TIC´s e a platéia pela sociedade e ainda teremos algo em comum, a harmonia.

Esta analogia desenha muito bem o professor colocando-o no papel de maestro cabendo a ele reger esta intrincada orquestra da aprendizagem. Ele é o responsável por interpretar, adaptar e dar vida à partitura musical composta pelas Leis e planos educacionais. É um trabalho árduo onde muitas vezes a partitura não agrada ou não é a "realidade musical" de uma determinada platéia e mesmo assim este maestro ou mestre, sem fugir a esta partitura, conduz o espetáculo da educação de modo a agradar a todos. Difícil tarefa para o mestre, uma vez que não há tempo para ensaios, ajustes ou mesmo adequações em instrumentos, pois o espetáculo acontece ao vivo, na hora, no dia a dia das escolas deste país e está acontecendo agora, em algum lugar. Nesta regência não há margem para erro, a repetição de “trechos da melodia” pode até acontecer, mas o espetáculo tem dia e hora marcada para acabar e no final das contas é esperado que os músicos se apropriem dessa vivência, das práticas e conteúdos trabalhados durante este magnífico concerto da vida. É pena que muitos não tenham interesse pelo espetáculo, sua participação resume-se em enviar os “músicos” e nem sempre ouvem ou percebem toda maestria musical que ocorre durante o espetáculo.

Creio que devemos como cidadãos, deixar de ser meros espectadores e participar com mais vontade e afinco deste espetáculo. É fácil aplaudir ou vaiar depois que tudo terminar, mas quando tomamos parte da elaboração e execução deste processo, transformando-o em uma verdadeira obra prima, teremos então verdadeiro orgulho de nossos músicos e realização pessoal por ter ajudado a criar este autêntico espetáculo da educação.

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Sistema proprietário versus sistema livre

 

Como se não bastassem as “guerras” reais, agora temos que conviver com as “batalhas” virtuais entre os sistemas operacionais. Acho que os governos devem ouvir mais a população antes de se manifestar a favor ou contra um bem de consumo ou serviço tão importante como é o caso dos sistemas operacionais.

Na última sexta (19/03) estive em São Paulo na Microsoft para a abertura do Fórum Educadores Inovadores em Rede e entre os assuntos discutidos estava o velho dilema do software pago e do software livre. Após ouvir e participar das discussões em pauta achei interessante publicar aqui no Blog minha contribuição enviada ao Programa Um Computador Por Aluno – PROUCA. Segue abaixo, na íntegra, o documento enviado ao evento.

 

Primeiramente gostaria de parabenizar o FNDE pela iniciativa desta consulta pública e agradecer o convite para contribuir com o evento. Em segundo lugar, deixo claro que sou simpatizante ao movimento do software livre.

Sou professor de informática desde 2004 e trabalho na área de T.I. há mais de 18 anos. Durante os últimos anos de docência percebi que o movimento do software livre tem ganhado força e muitos adeptos, principalmente entre jovens e estudantes. O software livre, assim como os programas e sistemas operacionais proprietários tem suas vantagens e desvantagens dependendo de como e onde são utilizados. Já vi muito software livre ser “vendido” como solução de custo e depois de algum tempo ser descartado gerando muitos problemas e descontentamento por parte de seus usuários. 

Segundo dados de junho de 2008 do site Cybernet, o mercado possui em sua maior parte software proprietário, sendo 90,82% Microsoft e 8,1% Mac que são proprietários contra 0,8 Linux que é livre. Sei que a atualização destes dados em 2010 mostra um crescimento para o software livre e ainda que seja realizada uma projeção muito otimista e favorável ao software livre para os próximos 5 anos, os softwares proprietários ainda estariam dominando o mercado.

Neste cenário, vejo que a vantagem de forçar a venda ou mesmo a distribuição de computadores com software livre só garante um lado da moeda, o de quem está comprando, pois o custo é mais baixo. Estou cansado de ver alunos, clientes e amigos comprarem computadores baratos, com sistemas livres e logo em seguida formatar o equipamento e entrar na ilegalidade com a instalação de softwares proprietários ditos “piratas”.

Do meu ponto de vista, como o mercado ainda demanda profissionais que saibam operar sistemas proprietários e como a maioria dos usuários só sabem utilizar softwares proprietário, se o governo pretende distribuir computadores, que seja com software proprietário, caso contrário, o próprio governo indiretamente estaria contribuindo para a pirataria. O que deve ser feito, em minha opinião, é uma conscientização de que o software livre é tão bom quanto o proprietário, e que todos devem pelo menos experimentar e perceber que a diferença está na sua aplicação, função e finalidade, lembrando também que o operador deste sistema deve ter capacidade de operá-lo com facilidade e destreza.

Esta reflexão para a escolha do tipo de sistema operacional ou aplicativos deve partir do mercado, ou seja, da própria população. Isto só ocorrerá quando o indivíduo puder experimentar livremente os dois tipos de sistemas e não ser forçado a utilizar um em detrimento ao outro. Como já disse, sou adepto ao software livre mas não sou fanático nem tampouco louco. Meu equipamento de trabalho que inclusive é este com o qual estou escrevendo este texto possui software proprietário como software principal e outros três sistemas operacionais instalados em máquinas virtuais, os quais eu utilizo na docência e também para experimentar e aprender. Se a comunidade de software livre ler o que estou escrevendo eles provavelmente dirão que isto é inadmissível, mas eu acho que a partir do momento que tenho o poder da escolha eu passo a estar no controle e isso me tranqüiliza e facilita o processo de ensino/aprendizagem. Quando esta opção é dada ao indivíduo tudo fica mais fácil pois cada um tem um tempo e uma “velocidade” própria para aprender as coisas. Baseado neste argumento, eu acho que impor um sistema operacional que não é conhecido ou que seja polêmico só vai trazer mais problemas.

Esta opção de utilizar outros sistemas pode ser fornecida junto com o equipamento na forma de “máquinas virtuais”, onde um ou mais sistemas operacionais e aplicativos podem ser inicializados e utilizados normalmente, tão simples como dar duplo clique em um ícone. Refuto a idéia de oferecer sistemas com Dual Boot pois além de fragmentar o espaço em disco, sua manutenção exige especialidade técnica e o usuário deve possuir instrução mínima de como operar tal sistema.

Concluo defendendo a idéia de um equipamento com sistema operacional proprietário mas munido com um sistema de máquinas virtuais previamente instaladas, proporcionando ao usuário o acesso à outros ambientes de sistemas, fazendo com que ele próprio possa escolher seu sistema operacional futuramente.

Referências:

http://cybernetnews.com/browser-os-stats-for-june-2008/#more-13498

http://www.cetic.br/

 

Uma coisa é certa nesta briga, quem sai perdendo são os usuários. Acho que os dois sistemas podem conviver pacificamente e a Microsoft tem se mostrado aberta e participado ativamente desta “pacificação” entre os sistemas através de ações em conjunto com a “comunidade” do software livre. Veja mais sobre este assunto nos links abaixo.

http://www.boadica.com.br/noticia/86329/microsoft-libera-20-mil-linhas-de-codigos-para-comunidade-linux

http://www.microsoft.com/everybodysbusiness/pt/br/products/system-center.aspx?WT.mc_id=SEARCH&WT.srch=1

http://info.abril.com.br/noticias/ti/microsoft-lanca-codigo-especifico-para-linux-20072009-42.shl

http://tecnologia.ig.com.br/noticia/2009/07/23/microsoft+libera+programas+para+linux+sob+licenca+open+source+7458979.html

Educação e Tecnologia: O peso da Inovação.

Fala-se muito nas novas Tecnologias de Informação e  Comunicação (TIC´s) mas até onde isso pode nos levar ou melhor, onde estamos e onde queremos chegar? Minha opinião sobre o uso das TIC´s na educação é que ela tem sido a bola da vez de muitas unidades escolares e faz parte do discurso de muitos políticos e defensores da educação "banhada" em tecnologia, porém se pararmos um pouco para pensar, devemos nos lembrar que a educação é um processo dinâmico de ensinar e aprender. Se considerarmos que a maioria dos responsáveis e docentes envolvidos neste processo e que utilizam a tecnologia massivamente já "sabem tudo", o processo educacional fica comprometido pois esses mesmos docentes se esquecem de aprender com os seus alunos o que eles realmente precisam. A massificação das TIC´s como ferramenta para solucionar os problemas da educação está longe de se tornar realidade pois a variável mais importante deste processo, o aluno, está sendo deixado para trás. Não sou contra as tecnologias, apenas alerto para o seu uso racional pois tenho visto uma verdadeira corrida do ouro entre unidades escolares a fim de chegar na frente na aquisição das mais novas tecnologias sem se preocupar com o usuário (aluno) destas tecnologias.
A inovação e uso das tecnologias em ambientes de aprendizagem devem ser ponderadas pelo próprio espaço escolar e pelas características de cada uma das unidades que desejam adotar essas tecnologias. Não basta inserir, por exemplo, um ambiente virtual de ensino como complemento às disciplinas lecionadas em sala de aula sem primeiro garantir que todos os alunos tenham acesso a computadores e a Internet. Fazer isso só para dizer que a escola "possui" tecnologias de ponta só faz aumentar as estatísticas da exclusão digital. A responsabilidade pela aplicação correta destas novas tecnologias deve ficar a cargo de profissionais da educação e não é só isso, o desenvolvimento de novas ferramentas voltadas para a educação também deve ser direcionado ao aprendizado e não ao comércio. Por isso digo que o peso da inovação, quando o assunto é educação, é muito maior do que o simples desenvolvimento e aplicação de novas tecnologias em sala de aula pois temos que tomar certos cuidados para não alienar todo o processo de ensino aprendizagem, que do meu ponto de vista já está bastante comprometido neste novo século onde as tecnologias parecem ter mais importância que o conhecimento.
Conclusão: A inovação no tocante à educação deve ser focada no educando. Não basta desenvolver novas tecnologias ou aplicá-las em projetos educacionais que não estão inseridos no contexto local de cada unidade escolar pois, neste caso, a tecnologia só irá aumentar o abismo da desigualdade tecnológica entre o usuários (alunos) e contribuir com a exclusão digital.